Saiba porquê a Anvisa 'tolera' bichos nas comidas

Conjunto de leis criadas fornece limites, sem trazer riscos à saúde

Publicado em 15/08/2016

Recententemente, uma polêmica foi gerada após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ter proibido a venda de cinco marcas de extrato e molho de tomate com pelo de rato acima da média permitida pelo órgão. Mas, a questão é: existe um limite aceitável de quantidade de inseto e pelos nos alimentos?

E por mais assustador que isso pareça, a resposta é sim. A legislação brasileira tolera um limite, estabelecido por lei, de pelos de ratos, moscas, baratas, aranhas, formigas, areia, pelo humano, teias e até excrementos animais.

De acordo com informações divulgadas no site UOL, em 2004, foi criado o RDC­14, um conjunto de leis, responsável por definir a quantidade de material impróprio que é aceito no alimento sem trazer riscos para o consumidor. No passado, não havia regulamentação para os limites de tolerância.

Veja alguns exemplos:

Molho e extrato de tomate, catchup e outros derivados: um fragmento de pelo de roedor a cada 100 g, dez fragmentos de insetos (como moscas e aranhas) a cada 100 g

Doces em pasta e geleia de frutas: 25 fragmentos de insetos a cada 100 g

Farinha de trigo: 75 fragmentos de insetos a cada 50 g

Biscoitos, produtos de panificação e confeitaria: 225 fragmentos de insetos a cada 225 g

Café torrado e moído: 60 fragmentos de insetos a cada 25 g

Chá de menta ou hortelã: 300 fragmentos de insetos em 25 g, cinco insetos inteiros mortos em 25 g, dois fragmentos de pelos de roedor em 25 g

Orégano: 20 fragmentos de insetos em 10 g

Não faz mal

Pelo de rato e outros insetos nos alimentos, desde que dentro dos limites estabelecidos pela Anvisa, não faz mal para a saúde. "Os alimentos industrializados são submetidos a processos que elevam sua temperatura, o que ajuda a matar a maioria dos micro­organismos", explica Ingrid Schmidt-Hebbel, coordenadora do Tecnologia em Gastronomia do Centro Universitário Senac­ Santo Amaro e especialista em legislação.

Empresas reprovadas

Mas se um lote de alimentos é reprovado pela Vigilância Sanitária, a empresa é notificada e obrigada a retirar o produto de circulação. Senão, a empresa pode ser punida com interdição, cancelamento de autorização e multa de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. Já o consumidor que adquiriu um produto reprovado tem direito a fazer a troca ou ter o seu dinheiro de volta.